Mudança do clima pode aumentar em 50% a ocorrência de raios no mundo

‘As tempestades elétricas ficarão mais explosivas’, diz autor de estudo. O Brasil ocupa o 1º lugar na incidência de raios, com 57,8 milhões ao ano.

Temperatura maior pode causar tempestades elétricas mais explosivas (Foto: Arquivo Pessoal/ Jéferson Alves)

Temperatura maior pode causar tempestades elétricas mais explosivas (Foto: Arquivo Pessoal/ Jéferson Alves)

raio2Um estudo de cientistas americanos, publicado na revista “Science”, sugere que as mudanças climáticas farão crescer a ocorrência de raios em 50% até o fim deste século. A análise se baseia em medições de precipitação e flutuabilidade das nuvens, aplicadas a 11 diferentes modelos climáticos que estimam a elevação da temperatura no planeta até 2100.

“Com o aquecimento, as tempestades elétricas ficarão mais explosivas”, afirmou à France Presse o climatologista David Romps, da UNIVERSIDADE da Califórnia, em Berkeley.

“O aquecimento aumenta a concentração de vapor d’água na atmosfera e, se você tem mais combustível em volta, quando a ignição ocorre, pode ser das grandes”, comparou.

Estimativas anteriores de como os relâmpagos seriam afetados pelo aumento das temperaturas usaram técnicas indiretas, sem ligação direta com as precipitações. O resultado foi uma faixa variando de 5% a 100% mais raios para cada grau Celsius de elevação.

A pesquisa atual se baseia na energia disponível para fazer subir o ar na atmosfera, combinada com as taxas de precipitação. A energia potencial disponível para convecção (ou Cape, na sigla em inglês) é medida por radiossondas, instrumentos colocados a bordo de balões meteorológicos. “A Cape é uma medida de quão potencialmente explosiva está a atmosfera”, explica Romps. “Nós achamos que o produto da precipitação e a Cape ajudariam a prever (a ocorrência de) raios”, continuou.

Perigo que vem do céu
Levantamento feito pela organização, a partir de dados da Defesa Civil, do Ministério da Saúde e reportagens veículadas em jornais aponta que 2.640 pessoas de todo o país morreram atingidas por descargas entre 1991 e 2010.

No mesmo período, segundo o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, divulgado em 2012 pelo Centro universitário de estudos e pesquisas sobre desastres (Ceped), ligado à UNIVERSIDADE Federal de Santa Catarina, morreram 2.475 brasileiros vítimas de enchentes de deslizamentos de terra.

Os números de mortes por raios podem aumentar no futuro caso se eleve a incidência de raios no país, possibilidade que pode acontecer devido à urbanização e aos efeitos da mudança climática, provocada pelo aumento da temperatura global.

Cidades médias (500 mil habitantes) e grandes metrópoles poderão se tornar alvos frequentes de raios devido às ilhas de calor, fenômeno responsável pela sensação de abafamento e resultante do processo de adensamento urbano e impermeabilização do solo.
Materiais como asfalto, concreto armado, cimento e o excesso de prédios dificultam a circulação do ar, o que faz com que o calor se concentre em determinados pontos.

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