Ourobranquense escreve seu quarto livro após aposentaria

Após longos anos de caminhada dedicados ao estudo, a família e a profissional, o auditor-fiscal aposentado, Manoel Lucena, decidiu dedicar um pouco do seu tempo livre para colocar no papel seus conhecimentos sobre a espiritualidade. E em menos de dois anos, Manoel Lucena acaba de finalizar seu quarto romance, intitulado de Planeta Avarus. Suas outras obras literárias são: Entre um Despertar e Outro, Fim de Noite e História de um Ateu.

Segundo o autor das obras, seus romances contam histórias da nossa humanidade que exploram nossas fraquezas e nossos dramas com um viés bem definido de espiritualidade.

“Trato de temas como aborto, drogas, traições, vida além da morte, reencarnação, Deus, riqueza, pobreza, enfim, meu desejo é entreter, mas também abrir espaço para reflexões”. Disse Manoel Lucena.

Na introdução do livro “Entre um Despertar e Outro” Manoel Lucena relata o momento em que decidiu começar a escrever seus romances.

Introdução

Nunca me passou pela cabeça que eu tivesse alguma qualidade de literato (concisão, clareza, estilo, correção gramatical, criatividade). Essa convicção mais se fortaleceu e se acentuou quando li o prefácio de Nelson Werneck Sodré à obra de Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere. Já ali ficava evidente, cristalino mesmo, que literato é alguém do porte de Graciliano Ramos, cuja obra perpassa, intocada em suas bases, gerações e resiste às mudanças de contexto, permanecendo inabalável como obra de arte: arte literária. Ora, o próprio Graciliano reescrevia suas obras várias vezes. Do texto original muito era modificado e, não raro, reduzido, mesmo assim ele nunca estava satisfeito. Era um crítico veemente do seu trabalho. Então quem serei eu? Nesse aspecto ninguém. Porém, quando li o prefácio de Werneck já era tarde para desistir. Os conceitos que me vinham em sonho, por intuição ou das conclusões de leituras eu não tinha e não tenho o direito de retê-los só para mim. Era imperioso dividir, correndo o sério risco de nada acrescentar a ninguém, mas aí que bom, a humanidade estaria à minha frente. O contrário seria o cúmulo do egoísmo e eu não quero ser egoísta a esse ponto. É claro que tenho vergonha em partilhar esse escrito, não por disfarçado orgulho, mas pela ausência de talento que me permitisse servir ao leitor com doses generosas de um texto escorreito e agradável; que o prendesse desde o primeiro parágrafo e o levasse ao êxtase indizível de desejar que a estória não acabasse nunca. Despertei e essas palavras estavam pululando no meu cérebro – eu sonhara. Precisava despejá-las imediatamente antes que elas se esfumaçassem. À mão eu só tinha um celular e nele as escrevi e teria que encontrar espaço na introdução que já estava pronta. O meu desejo único é de ser útil e distrair, a um só tempo, além de dividir um entendimento de mundo que não é meu, mas que precisa urgentemente ser melhormente compreendido pelo retrovisor das vivências dos personagens.

Detalhes
Sempre me perguntei o que se passava na cabeça de alguém quando se apossava de uma caneta, de uma máquina de escrever ou, modernamente, de um computador e se punha a escrever: uma história, um conto, um romance. Pietro Ubaldi, na obra Profecias, nos brinda com a descrição do seu processo produtivo, mas lá a questão é mais severa, pois a sua obra transcende questões ordinárias e se aprofunda em aspectos basilares da existência humana e da concepção monista da obra de Deus, sem pieguices e sem crenças dogmáticas.
De toda sorte, Ubaldi me preencheu a lacuna dessa indagação: que inspiração move alguém que se debruça a escrever e passar adiante histórias, causos e saberes?
No meu caso, para matar curiosidades que reputo legítimas, há uma extrema solidão acompanhada por inspirações momentâneas, notadamente quando estou começando a dormir ou quando me chega o despertar. Mas não apenas isso. No livro “Fim de Noite”, viajava eu com minha esposa de Fortaleza para Natal. Almoçamos em Mossoró e quando retomamos a viagem entrei em estado de ebulição mental. Foram quase três horas dirigindo e compondo, mentalmente, quatro capítulos do livro. Ao chegarmos ao hotel, em Natal, sentei em uma mesa e escrevi, ininterruptamente por mais de cinco horas, despejando no papel àquilo que intuíra na viagem.
Quando estava concluindo o livro “Fim de Noite”, me peguei imaginando o que faria depois. Deitado, quase dormindo, descobri, havia uma sugestão quase audível: escreva a história de um ateu, afinal ser ateu é um processo delicado, difícil, de extrema consciência, no qual a certeza da finitude e do nada; da onipotência da matéria e do acaso; das mutações aleatórias que permitem a evolução das espécies e da inexistência do espírito como ator de nós mesmos, requer um equilíbrio mental e uma força de coesão tão poderosos quanto a ideia de Deus.
Mas, confesso: quando sento para escrever não tenho a menor ideia do que será o produto final. Deixo-me guiar pela intuição e, não tenho dúvidas, meu anjo da guarda está ali, me orientando, me puxando a orelha quando a coisa está pior do que poderia ser. Este livro também nasceu assim. Estava deitado e as ideias e o título foram surgindo. Escreva sobre um planeta parecido com a terra, utilizando personagens de outros livros seus, dê sequência ao pensamento da evolução no universo com seus infindáveis sistemas planetários. Não foi fácil. Mas conclui em 28 de março de 2017.
É salutar esclarecer que o processo de criação de uma história apresenta enormes desafios para quem deseja apresentar algo que, a um só tempo, entretenha e sirva a reflexões, além de se apresentar dentro de padrões ortográficos e gramaticais aderente às normas da língua. Isso não é fácil. São tantas as regras e as exceções que um simples corretor de texto é incapaz de suprir todos os pormenores e a obra sair perfeita. Meu coração se apertava todas as vezes que uma obra era editada e ao relê-la me deparava com erros ora de concordância, ora de ortografia. Depois fui asserenando meus ânimos quando encontrei esses mesmo equívocos em obras literárias de vulto – poderia ser acerenando? Claro que não, enfim ou em fim? De certo ou decerto, senão ou se não, nenhum ou nem um? Por que, porque, por quê, porquê. Percebem o tamanho da questão? Enfim! Se o mérito da história consome noites insones, angústias, ansiedade: isso está muito ruim, quem vai se interessar por algo tão insosso? Imaginem ter que contar uma boa história, explorar situações, casos e, ainda por cima, redigir tudo escorreitamente. Tudo isso para pedir que relevem os erros cometidos.

Para quem não conhece nosso conterrâneo, segue abaixo um breve histórico sobre sua vida.

Manoel Lucena saiu de Ouro Branco em 1973 para estudar em Patos-PB, na época o científico (segundo grau). Dois anos depois, em 1975, ele concluiu o curso secundarista em Natal. Manoel Lucena é Graduado em Direito pela Universidade de Fortaleza e Pós-graduado em Direito Processual pela Faculdade Christus também Fortaleza. Ele ainda chegou a cursar dois anos de Odontologia na UFRN; dois anos de Administração de Empresas na UNIFOR e três anos de Psicologia na UNIFOR. Atualmente nosso conterrâneo reside em Fortaleza.

Em sua vida profissional, Manoel Lucena exerceu vários cargos importantes, entre eles a Superintendência Regional Banco do Brasil no Ceará, Chefe da Fiscalização do INSS em Fortaleza, Delegado da Receita Previdenciária do Ceará, a Superintendência-adjunto da Receita Federal 3ª Região Fiscal (CE,PI,MA), ?Assessoria Especial do Ministro da Previdência Social, Diretor de Fiscalização PREVIC (Autarquia Federal) e
?Diretor do Banco do Nordeste.

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