Um quantum de luz no simbológico final do imensamente túnel

(Aprender a aprender – Desaprender para reaprender).

“Eu duvido, logo penso, logo existo” (René Descartes) .

No limiar do apercebimento de nós mesmos, quando damos conta do nosso ser existencial, naturalmente, nos encontramos arrebatados ou inseridos em velhos sistemas moldados sobre fôrmas e formas de um passado considerável que não correspondem às rogativas do pensamento contemporâneo. No momento, quero me ater a dois desses sistemas: o Sistema Educacional e o Religioso, mas, especificamente no país onde moro. Rebuscando no legado da nossa história constataremos que a ineficiência do primeiro permitiu a estruturação do segundo e a ineficácia de ambos vem gerando uma sociedade egoísta, incrédula, promíscua, violenta, alienada e extremamente materialista que culminou com uma corrupção desenfreada e um capitalismo fenomenal. No ápice desse caos sociocultural, imersa numa onda de pessimismo e desesperança, vislumbra na mente genial de alguns profissionais da área da educação a proposta futurista de um novo paradigma: “aprender a aprender” ou “desaprender para reaprender”. Diz a professora Rosangela Nieto de Albuquerque: “Para que possamos implementar de fato o ‘aprender a aprender’ precisamos aprender a ‘desaprender’ nossos modelos de ensinar”. Conclui o Prof. Júlio César Furtado: “As ações dos professores em sala de aula baseiam-se, há séculos, em crenças fortemente sedimentadas. É necessário desaprender, por parte do professor – o que passa, necessariamente, pela mudança das crenças, de modelos –, e abrir-se para uma nova aprendizagem”. Dessa forma, o grande desafio é formar, lapidar ou reformar o novo ‘Ser-Professor’. Desaprender para reaprender, exige reconfigurar lógicas, quebrar paradigmas, ousar, fazer diferente para tornar possível o que parecia impossível. É necessário valorizar mais o conhecimento do que os títulos e rótulos acadêmicos, é preciso mestres e pastores descerem de seus pedestais à alinhar-se e aproximar-se de seus discípulos interlocutando pensamentos e conhecimentos. É extremamente necessário desdogmatizar, decodificar e desmitificar o que está mitificado há séculos. A evolução ideológica e tecnológica está flexionando tão vertiginosamente a informação e o conhecimento que ambos fundiram-se num ‘vai-e-vem’ num verdadeiro ‘estica e puxa’ com impulsos cada vez mais longos e sem limites de fronteiras. É chegado o tempo, as perguntas são mais complexas e as respostas não requerem mais sofismas. Esta é a visão tridimensionalmente ideológica das gerações pós-contemporâneas. Vai-se o tempo em que expor ideias novas é desafiar, e, questionar é ato de desacato ou indisciplina; vai-se o tempo em que um só é o ser pensante e os outros meros multiplicadores de pensamentos. Lembremos a Boa Nova do gênio da Galiléia: – “O verdadeiro Reino está dentro de vós”; “Faça brilhar a tua luz” “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Doutrina de cunho transcendental, aberta e gratuita. Infelizmente, fechada entre os séculos III e V por teologias sectaristas de interesses privados. Precisamos resgatar esta doutrina libertadora das idéias preconcebidas, da escravidão consciencial e das amarras das tradições. Precisamos também, vivenciarmos novas experiências, irmos além do “Freud explica” propondo ideias novas buscando conceitos novos. Somente sistemas novos pautados no diálogo, disponibilizam ferramentas e mecanismos que proporcionam mestres e pastores a reassumirem uma nova postura de aprendizes comuns do que é infinito e caminheiros públicos do que é eterno.

Quero encerrar este artigo com uma citação da Professora Rosangela Nieto de Albuquerque: – “É necessário esvaziar – desaprender-se – para aprender, atitude que possibilita a formação de outro pensamento, isto é, sair da posição das evidências e das naturalidades. Permitir-se transgredir para abrir as possibilidades para a experiência. Aprender com a lacuna do vazio e sentir tal potência, aproveitando esse espaço como possibilidade de novas criações. Há que se desaprender para reaprender, tornar possível as possibilidades ainda não exploradas e, então, construir uma sociedade mais humana e fraterna”.

Obs. Rosangela Nieto de Albuquerque é professora universitária, pedagoga, psicopedagoga clínica e institucional, gestora em Educação, mestre em Educação, mestre em Ciências da Linguagem, doutora em Educação, doutora em Psicologia Social e pós-doutoranda em Educação.

Francisco Hildebrando da Fonseca – (Teté)

Este conteúdo foi postado na categoria A VOZ DO LEITOR. Link permanente.